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EUA aprovam pacote de US$ 40 bilhões em ajuda à Ucrânia






Em mais um esforço para combater a invasão russa na Ucrânia, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (19) um pacote de quase US$ 40 bilhões (mais de R$ 198 bilhões) em ajuda para Kiev. É o maior auxílio de Washington até o momento e vai incluir assistência militar, econômica e humanitária.



A medida recebeu amplo apoio bipartidário e foi aprovada por 86 a 11 -todos os votos contrários, porém, foram de senadores republicanos.


"Este é um pacote grande e atenderá às grandes necessidades do povo ucraniano enquanto lutam por sua sobrevivência", disse o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, pedindo apoio antes da votação.


"Ao aprovar esta ajuda de emergência, o Senado pode agora dizer ao povo ucraniano: a ajuda está a caminho. Ajuda real. Ajuda significativa. Ajuda que pode garantir que os ucranianos sejam vitoriosos", acrescentou.


O pacote inclui US$ 6 bilhões (quase R$ 30 bilhões) para a segurança, incluindo treinamento, equipamentos, armas e apoio militar; US$ 8,7 bilhões (R$ 43 bi) para reabastecer os estoques americanos de equipamentos enviados à Ucrânia e US$ 3,9 bilhões (R$ 19 bi) para operações do Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA.


Também inclui US$ 5 bilhões (R$ 24,6 bi) para lidar com a insegurança alimentar causada pelo conflito e quase US$ 9 bilhões (R$ 44,4 bi) para um fundo de apoio econômico à Ucrânia.


Não é a primeira vez que os EUA enviam ajuda financeira a Kiev. Em março, algumas semanas após a invasão russa, o Congresso aprovou um pacote de US$ 14 bilhões.


Inicialmente, o governo americano se limitava a enviar armas à Ucrânia e depois passou a fornecer artilharia, helicópteros e drones ao Exército do país. Quando os combates se espalharam pelo território ucraniano, afastando-se da capital, Biden acabou pedindo outra rodada de apoio ao Congresso, em abril.


A Câmara dos Deputados já tinha aprovado o projeto de lei que inclui os gastos suplementares em 10 de maio, mas a proposta parou no Senado, depois que o republicano Rand Paul não autorizou o pedido de uma votação rápida. Os democratas são maioria, mas as regras da Casa exigem aprovação unânime para que uma votação possa avançar de maneira mais ágil.


Em uma carta, o secretário de Estado Antony Blinken e o secretário de Defesa Lloyd Austin fizeram um apelo aos líderes do congresso, afirmando que o fundo usado para enviar armas para Kiev só tinha recursos até esta quinta-feira.


Com a aprovação do novo pacote, a ajuda dos EUA à Ucrânia ultrapassa os US$ 50 bilhões desde o início da invasão russa.


Além do apoio financeiro, Biden tem se esforçado para demonstrar seu aval à adesão de Finlândia e Suécia à Otan, quebrando décadas de neutralidade dos países nórdicos.


Os dois países apresentaram suas candidaturas após a Rússia invadir a Ucrânia, e buscaram o guarda-chuva militar dos EUA por temer a agressividade russa -já que a contenção da aliança ocidental é uma das principais justificativas de Moscou para invadir o país vizinho.


Nesta quinta, Biden recebeu na Casa Branca a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, e o presidente finlandês, Sauli Niinistö para discutir a entrada dos países na aliança.


"Eles atendem a todos os requisitos da Otan e a mais alguns", disse Biden, oferecendo "apoio total e completo". "Enquanto suas candidaturas estão sendo consideradas, os EUA trabalharão com a Finlândia e a Suécia para permanecerem vigilantes a qualquer ameaça à segurança comum".


Todos os 30 membros da Otan precisam aprovar a adesão de quaisquer novos participantes, e a Turquia, que mantêm relação próxima tanto de Kiev quanto de Moscou, ameaça vetar os países nórdicos.


Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, reafirmou nesta quinta sua oposição às candidaturas e reiterou sua visão de os dois países são santuários para organizações "terroristas" curdas.


"Estamos determinados a manter nossa posição, informamos nossos amigos e diremos 'não' à Finlândia e à Suécia, que querem se juntar à Otan, e persistiremos nessa política", disse Erdogan em uma assembleia de jovens em Istambul.


O governo Biden garante que a situação será resolvida graças, principalmente, aos esforços de mediação americanos. Por sua vez, o secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, comentou que a aliança militar responderá às "preocupações" expressas pela Turquia.


Ao lado de Biden, o presidente finlandês afirmou que seu país discutirá todas as preocupações expressas pela Turquia sobre sua candidatura à Otan. "Condenamos o terrorismo em todas as suas formas e estamos ativamente comprometidos em combatê-lo", disse Niinistö a repórteres.


Andersson, por sua vez, disse que a situação na Ucrânia traz à memória "os dias mais sombrios da história europeia". "Durante tempos sombrios, é ótimo estar entre amigos próximos", afirmou a sueca. "E estamos aqui hoje mais unidos do que nunca, comprometidos em fortalecer ainda mais nossos laços."
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