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Rússia provoca EUA e aliados com bombardeiros nucleares




SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia despachou dois bombardeiros estratégicos com capacidade para ataque nuclear Tu-95 para o mar do Japão neste terça (23), em mais uma troca de provocações entre Moscou e Washington usando o expediente das ameaças militares.



Os enormes aparelhos foram escoltados por caças Su-30 e voaram por sete horas em águas neutras. Como entraram na Zona de Identificação de Defesa Aérea da Coreia do Sul, que não é espaço aéreo oficial mas serve de referência para países como linha de proteção, caças F-16 de Seul foram enviados para acompanhar a patrulha.

Esse tipo de ação é usual e ocorre sobre águas internacionais de mares como o Negro e Báltico semanalmente. Mas a patrulha russa ocorre durante o maior exercício anual entre forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul desde antes da pandemia.

Iniciada na segunda (22) e com duração prevista até o começo de setembro, a manobra Ulchi Freedom Shield inclui simulações de ataque e defesa, envolvendo forças terrestres e aeronavais. Os EUA têm no país seu maior contingente no exterior, 28,5 mil militares.

O exercício reforçado envia por sua vez um sinal à Coreia do Norte, que tem testado uma série de mísseis neste ano. Separadas desde o cessar-fogo de 1953 entre as metades comunista e capitalista da península, as Coreias vivem em um precário equilíbrio de forças, com ameaças nucleares de Pyongyang no cardápio para a manutenção do regime.

A Rússia apoia a ditadura comunista local. Na semana passada, o presidente Vladimir Putin chegou a anunciar um incremento na relação entre os países. A Coreia do Norte também tem na China, principal aliada de Moscou, uma apoiadora.

Assim, a troca de animosidades se insere no contexto da Guerra Fria 2.0 entre EUA e China também. Em fevereiro, antes de iniciar o conflito na Ucrânia, Putin filiou-se oficialmente ao lado de Xi Jinping na confrontação geopolítica global contra Washington.

Isso levou imediatamente os conflitos particulares das potências a serem vistos como parte de um todo, com o presidente Joe Biden e seus aliados no Indo-Pacífico advertindo Xi de que suas pretensões de tomar Taiwan não deveriam ser exacerbadas pela ação de Putin na Ucrânia.



A ida da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha só complicou a situação, com Pequim montando um regime quase permanente de exercícios militares simulando bloqueio e invasão de Taiwan. Por sua vez, aproveitando a instabilidade, a Coreia do Norte reforçou seus testes com mísseis para tentar extrair dos americanos a volta de uma negociação sobre o seu status nuclear, que está congelada.

O Japão, por sua vez, tem assumido um caráter crescentemente militarista ante o que percebe como ameaça chinesa apoiada pelos russos –o voo dos Tu-95 tem esse efeito, aliás. Esse cipoal de interesses confluiu para o aumento da tensão no Oriente, que se manterá em alta com grandes exercícios militares envolvendo Rússia e China na semana que vem, enquanto a Guerra Fria 2.0 segue mais do que quente na Europa.

CRESCEM CASOS DE INTERCEPTAÇÃO

Defesa aérea Cerca de 20 países, como EUA, Rússia, China, Japão e Coreia do Sul têm Zonas de Identificação de Defesa Aérea

O que é?

Faixa além do espaço aéreo do país em que aviões estrangeiros são obrigados a se identificar

Por quê?

São zonas em regiões que potencialmente podem ser invadidas por inimigos, como rotas até alvos

O que acontece?

Se o avião não se identifica, ele é abordado por caças do país, que o acompanham até deixar a fronteira oficial

E se ele não se afastar?

Sem resposta de rádio ou sinalização do piloto, o caça dá tiros de advertência; depois, pode até derrubar o invasor, no limite
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