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Transparência Internacional repudia apoio de Moro e Dallagnol a Bolsonaro




Por meio de nota pública divulgada nesta quarta-feira (5), a Transparência Internacional – Brasil criticou o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos) por “evocar a luta contra a corrupção” para justificar apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Em diversos momentos da história e em várias partes do mundo, o discurso da luta contra a corrupção é sequestrado para viabilizar projetos autoritários de poder. A Transparência Internacional Brasil lamenta profundamente que agentes que efetivamente atuaram no enfrentamento a imensos esquemas de corrupção empresarial e política, com ramificações em dezenas de países, emprestem sua imagem à promoção de forças políticas corruptas e autoritárias no Brasil”, diz o documento da organização sem fins lucrativos que atua na pauta anticorrupção ao redor do mundo, citando a atuação de ambos na operação Lava-Jato.

Ao defender a liberdade de escolha e rechaçar a intolerância política, a entidade pondera, no entanto, que “associar a luta contra a corrupção ao apoio ao candidato Jair Bolsonaro é prestar imenso desserviço à causa e desvirtuar o que ela fundamentalmente representa”.

Na nota, a entidade informou que desde 2019 tem documentado e denunciado “inúmeros episódios de corrupção no governo Bolsonaro e as vastas evidências de crimes cometidos pelo próprio Presidente da República e seus familiares”. Apontando como “ainda mais grave”, a Transparência Internacional destacou ter denunciado ao mundo ainda o que chamou de “desmanche, sem precedentes, dos arcabouços legais e institucionais anticorrupção que o país levou décadas para construir”.

Segundo a organização, com o objetivo de “blindagem recíproca”, o governo Bolsonaro se associou ao “que há de mais corrupto na política brasileira” por meio de nomeações em órgãos federais e aparelhamento do Judiciário.

“Partidos associados no chamado bloco do ‘Centrão’, promoveram, em conluio com o governo Bolsonaro, o maior processo de institucionalização da corrupção que se tem registro no país, através do assalto ao erário público no esquema do ‘Orçamento Secreto’. O resultado imediato foi a explosão da corrupção em nível local com verbas públicas federais jorrando sem transparência e controle e a garantia do sucesso eleitoral das forças políticas corruptas nas Assembleias e no Congresso Nacional”, apontou a entidade, segundo a qual são “extensas as evidências” de desvios de recursos públicos na administração federal, além de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro da própria família do presidente, além de “vínculos estreitos” com o crime organizado.

“Na montagem de sua arquitetura da impunidade, a família promoveu o maior desmonte dos mecanismos de controle da corrupção no país, que são também pilares do sistema de freios e contrapesos do regime democrático brasileiro”, diz o documento, apontando a “captura” da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Federal e da Receita Federal, com a finalidade de proteger Bolsonaro juridicamente.

No âmbito político, a Transparência Internacional afirma que o governo “comprou” o Congresso Nacional através do orçamento secreto e da aliança com o centrão. “Para neutralizar o controle social, promoveu-se um retrocesso sem precedentes na transparência e no acesso à informação pública, o desmantelamento dos espaços institucionalizados de participação e a deterioração do espaço cívico, com a difusão de desinformação e discurso de ódio, montagem de aparatos clandestinos de vigilância e espionagem estatais, tendo como alvos recorrentes jornalistas – com ainda maior frequência e virulência, jornalistas mulheres -, ativistas, acadêmicos e artistas”, diz o documento, apontando ainda que o desmonte institucional “fez explodir” também a criminalidade ambiental, resultando em alta no desmatamento e na violência contra os povos indígenas e comunidades tradicionais.

“A causa anticorrupção não é e jamais será um fim em si mesma. A Transparência Internacional seguirá, sempre, apoiando a luta contra a corrupção pelo que ela verdadeiramente significa: uma luta por direitos”, concluiu.
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